quinta-feira, 8 de março de 2012

A menina dos "olhos brilhantes"

 Quando eu era criança, adorava sentar no colo do meu falecido Pai e ouvir ele contar as estórias de quando ele era criança e de tudo o que meu Avô e minha Avó passaram para criar ele e os seus 9 irmãos, de ver ele mostrar orgulhoso um casaco branco da Marinha do Brasil e as fotos relembrando as estórias dos anos que serviu como Fuzileiro Naval (as mesmas que me faziam dizer orgulhosa que seria "guerrilheira" quando crescesse ^^)...de como ele tinha orgulho de ser o que era e de ser quem era, apesar de não ter muito dinheiro, nem casa própria nem nada do tipo, o que realmente ficou como legado foi o seu caráter e ele sempre se esforçou muito para passar a importancia de se ter isso ao longo da vida à mim e aos meus irmãos, não importa-se o caminho que decidíssemos tomar.
Lembro-me de com 5 ou 6 anos quando íamos passear, ele fazer questão de me chatear ao me dizer baixinho com um sorriso contido no rosto quando via alguma mulher bonita o termo: "bicho-bom" só para me ver retrucar furiosa: - Nãoo!! "bicho-feioo"...  ria alto e me pegava no colo me abraçando apertado. Se eu fechar os olhos por um instante sequer posso sentir sem demagogia o cheiro de meu Pai, o calor do toque, e o amor que havia naquele gesto simples.
Dentre os 4 filhos de meus pais, fui a única filha mulher e tinha algumas vantagens perante os demais...meus 2 irmãos mais velhos contam que no dia em que nasci, contentes querendo comemorar a minha chegada e ansiosos para saber o que era o bebê, ao confirmarem que era uma menina comemoraram em um banhado que havia perto da casa onde morávamos em pleno frio de 11 de Agosto, atirando lama um no outro, pulando e rolando na àgua gritando: É MENINA!!É MENINA!!
Mas que me “odiaram pra toda vida” loguinho depois porque apanharam assim que chegaram em casa imundos de lama. Até hoje ouço entre risos que já nasci incomodando. (risos)
De repente me bateu uma saudade do meu Pai; saudade de ser criança; de correr que nem guri atrás dos meus Irmãos...saudade do colinho da minha Mãe que apesar de austera conseguia ser doce e amável; saudade de ser balançada bem forte pelo meu Pai sentada na cadeira de balanço da pracinha; saudade de cantar por horas em cima da árvore de “cinamomo” da casa do meu falecido Tio Orlando até alguém gritar: Já pra dentro gralha!! ; Saudade de esculhambar as “bolitas” (bolinha de gude) coloridas e de tamanhos variados dos meus irmãos, que aos meus olhos curiosos eram a coisa mais perfeita do universo e depois dizer: -NÃO FUI EU!!
 Saudade de brincar de carnaval de lata com latinhas de azeite amarradas nos pés, de tocar campainhas nas casas e sair correndo.... e após quase afogar meu irmão mais novo com a mamadeira de chá  correr desvairada em volta da mesa da cozinha sabendo que quando parasse levaria mais palmadas do que as tantas que a minha mãe já havia me prometido.
 Saudade de ter aquele brilho nos olhos que só se tem quando se é criança, de ter a ingenuidade de ao deitar para dormir, imaginar uma redoma em volta de sua casa onde nenhum mal seria capaz de afetar a seu Pai, sua Mãe e seus Irmãos...de tentar barganhar com Deus que se algum mal não pudesse ser evitado e tivesse que vir que me afeta-se 1º antes de afetar os demais, para que não sofresse por ver qualquer um deles sofrer.
 Saudade dessa menina que se transformou em uma mulher e foi perdendo a doçura ao longo dos anos... mas a vida é assim mesmo, a vida é um ciclo, uma roda gigante onde tudo se transforma o tempo todo, tudo começa, termina e recomeça para depois terminar outra vez.


“Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz.
Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.
Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar.
Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e dançar.
Dançar na chuva quando a chuva vem.”



(Letra da Música Felicidade - Marcelo Jeneci)

domingo, 15 de janeiro de 2012

127 Dias

Talvez esse seja, de certa forma, o último post que eu esteja escrevendo, e a idéia dele estava aqui salvo á vários e vários dias...mas só hoje é que veio a ter algum sentido...

“Well, I'm here to remind you
Of the mess you left when you went away
It's not fair to deny me
Of the cross I bear that you gave to me
You, you, you oughta know...”
[Allanis]

Se tem uma coisa da qual me orgulho de ser é intensa, intensa em todos os momentos da minha vida, desde a euforia da conquista, do tesão da paixão, da passividade do amor...a tristeza profunda da perda.
Passei por tantas coisas e sensações nesses 127 dias, me culpei durante todo o tempo, pensei: como pude ser tão tola?! (ainda não sei como pude ser...mas já ñ importa mais) o fato é que hoje vejo o quanto foi importante não só este período como o que precedeu ele...me fez mais forte, mais atenta, mais firme,  e porque não dizer mais "vil"...
Tenho um ex-namorado que mora na Alemanha à alguns anos e eu fui uma vaca com ele ¬¬...esses dias pensei em escrever um e-mail para saber as noticias, mas simplesmente não achei que seria interessante...passado um ou dois dias soube que ele casou-se com uma garota de lá e por mais estranho que pareça, pelo menos para mim, eu não senti "Nada"... nada  além de ficar feliz por ele...antigamente isso teria sido horrível e eu teria me sentindo horrível, por que sempre fui incapaz de cortar laços... então pensei : estou finalmente crescendo...me tornando alguém bem melhor com toda a certeza, pelo menos melhor do que tenha sido até aqui...rs
Sempre ouvi  dizer que eu tinha um lado "marginal" latente em mim... e sempre exitei em aceitar isso ou interpretar isso... na verdade nunca entendi a respeito do que ...mas no fundo sempre soube que tinha mesmo, nunca me importei com o que fossem falar ao meu respeito, ou pensar ao meu respeito...as coisas "não convencionais" sempre me atraíram como mel para um enxame de abelhas... sabe o que é mais fantástico...com todo o passar do tempo eu não me perdi, isso faz parte da minha essência, colaborando com a minha evolução mesmo que sejam as experiências que eu tenha vivido boas ou ruins...
Quanto à você motivo do título deste post, sinto muito por tudo ter sido assim da forma que foi, senti muito a sua falta justamente por te considerar meu amigo e por ter sido leal à esta amizade...não se ache importante quanto a isso porque você não é...você não é Nada além das escolhas que você fez, você não é nada além das coisas em que me fez acreditar e eu jamais tornarei a falar sobre você novamente, por que pela primeira vez em 127 dias eu sinceramente não me importo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Agridoce

Como pode uma "coisinha" tão doce por fora ser  tão amarga por dentro?!
Às vezes sou cruel com quem esta à minha volta ou, só não mais, do que sou cruel comigo mesma. Sei que isso não me faz uma pessoa ruim, ou indigna de virtudes...mas sinceramente às vezes temo em não ser uma pessoa boa...minha sorte como costumava dizer meu pai , é que sempre tenho pessoas boas e pacientes à minha volta porque se fosse ao contrário levaria uma surra por dia.
Sou capaz de iluminar um lugar, um dia, uma conversa...mas sou muito mais capaz de levantar do nada e simplesmente apagar a luz.
Será que quando tiver 70 anos serei uma senhora ranzinza, daquelas com quem ninguém gosta de estar?? (tomara que não) por que aos 29 às vezes nem eu me suporto, não queria estar em mim.
Embora quisesse que você simplesmente me abraça-se e pergunta-se: Hey Vica o que houve? eu me fecho em uma redoma e não vejo nada além das coisas que eu acho que não darão certo, das coisas que me aborrecem, que me entristecem...do medo. Afastando assim qualquer intenção de proximidade que você possa vir a querer ter comigo.
Deitei choramingando e acordei radiante como se nada tivesse acontecido... só me amando muito mesmo para me aturar.
(eu sei que mentalmente ele sempre canta essa para mim... )

"...Blue-eyed boy meets a brown-eyed girl.
You can sew it up, but you still see the tear.
Baby's got blue skies up ahead
But in this, I'm a rain-cloud,
Ours is a stormy kind of love.
(Oh, the sweetest thing.)"

 Sweetest Thing-U2